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Educativo

DRE para iniciantes: o que é e como montar

Sem jargão contábil. Com exemplo numérico real. Você vai sair daqui sabendo se o seu negócio dá lucro de verdade.

8 min de leitura

Quase todo dono de pequeno negócio já ouviu falar em DRE. Quase nenhum sabe ler um. E menos ainda monta o próprio mensalmente. Resultado: a pessoa olha o saldo da conta, acha que tá tudo bem, e descobre 3 meses depois que estava perdendo dinheiro.

Esse texto resolve isso. Em 8 minutos você vai entender o que é DRE, como é a estrutura, e vai montar um exemplo passo a passo com números reais.

O que é DRE

DRE = Demonstrativo de Resultado do Exercício. Apesar do nome formal, a ideia é simples: é um relatório que mostra, num período específico (geralmente um mês), se o negócio deu lucro ou prejuízo — e por quê.

Diferente do extrato bancário (que mostra entradas e saídas misturadas), o DRE organiza tudo em camadas: receita, depois custos diretos, depois despesas fixas, e finalmente o lucro. Cada camada conta uma parte da história.

Por que isso importa: o saldo do banco engana. Você pode ter R$ 20.000 em caixa e estar dando prejuízo (vai aparecer no mês seguinte). O DRE mostra a verdade antes do estrago.

A estrutura básica do DRE

Pra prestador de serviço, a forma simplificada do DRE tem 5 linhas principais:

  • 1. Receita bruta — tudo que faturou no período
  • 2. (−) Deduções — impostos sobre venda, devoluções
  • 3. = Receita líquida — o que sobrou da receita após deduções
  • 4. (−) Custos e despesas operacionais — tudo que você gastou pra operar
  • 5. = Resultado (lucro ou prejuízo) — o que sobrou no fim

Exemplo prático: agência de marketing pequena

Vamos montar um DRE de uma agência fictícia chamada "Studio Foco", com 2 sócios, no mês de outubro:

Receita bruta (3 clientes mensais)+ R$ 18.000
(−) Impostos sobre venda (Simples 6%)− R$ 1.080
= Receita líquidaR$ 16.920

Aqui vem a parte que a maioria pula: classificar as despesas em custos diretos (que variam com o trabalho) e despesas fixas (que existem mesmo sem cliente).

Receita líquidaR$ 16.920
(−) Freelas contratados pra projetos− R$ 3.500
(−) Ferramentas SaaS (figma, ads, hosting)− R$ 800
= Margem de contribuiçãoR$ 12.620

Margem de contribuição é quanto sobra da receita pra cobrir as despesas fixas. Quanto maior, mais saudável o negócio. Continuando:

Margem de contribuiçãoR$ 12.620
(−) Aluguel sala− R$ 2.500
(−) Pró-labore dos 2 sócios− R$ 7.000
(−) Contador, internet, energia, café− R$ 1.400
= Lucro operacionalR$ 1.720

Pronto, esse é o DRE. A Studio Foco lucrou R$ 1.720 em outubro — uma margem líquida de 9,6% sobre a receita bruta. Saudável? Razoável. Acima de 15% seria ótimo, abaixo de 5% acende sinal amarelo.

O que o DRE te conta que o extrato não conta

Esse exemplo simples já revela 3 coisas que NÃO aparecem no extrato bancário:

  • A margem real do mês. Você não vê "9,6% de margem" no banco. Vê só o saldo, que pode estar alto porque um cliente pagou adiantado.
  • O peso de cada linha de despesa. Aluguel + pró-labore = R$ 9.500. Isso é fixo. Se faturar menos que R$ 12.000 num mês, vai dar prejuízo automático.
  • O ponto de equilíbrio. Quanto você PRECISA faturar pra não dar prejuízo? Com a estrutura acima, é em torno de R$ 13.500 (custos diretos + fixos).

Os 5 erros mais comuns de quem monta DRE pela primeira vez

  1. Esquecer o pró-labore. Você é dono e trabalha lá. Seu tempo tem custo. Se não "paga" um pró-labore, o lucro está inflado.
  2. Misturar custo direto com despesa fixa. Aluguel é fixo. Freela contratado pra um projeto específico é variável. Não dá pra negociar igual.
  3. Registrar receita pelo regime de caixa. Cliente pagou em outubro um serviço de novembro? No DRE, a receita é de novembro (regime de competência). Tem um guia separado sobre isso.
  4. Esquecer impostos. Simples Nacional, ISS, INSS — tudo isso é dedução. Se ignorar, você acha que faturou 18 mil mas só vai poder usar 17.
  5. Não fazer todo mês. Um DRE de um único mês não diz muita coisa. A força tá em comparar 3, 6, 12 meses e ver tendência.

DRE simplificado vs DRE completo

Existe a versão técnica (que contador usa pra prestação de contas oficial) e a versão gerencial simplificada (que você usa pra tomar decisão). Pra prestador de serviço pequeno, a versão gerencial basta. Os planos do EVAH oferecem:

  • DRE Simplificado (já no plano Start) — receita, despesas, lucro
  • DRE Básico (plano Básico) — adiciona impostos e categorias agrupadas
  • DRE Avançado (plano Pro) — adiciona análise por centro de custo, comparativos mês a mês

Conclusão: monte o seu HOJE

DRE não é coisa de contador. É coisa de quem quer entender o próprio negócio. Pode começar manual numa planilha, mas se você já tem o fluxo de caixa registrado em algum sistema, o DRE sai automático.

No EVAH, ele aparece como aba dedicada no dashboard — atualizado a cada lançamento. Sem precisar montar planilha. Sem precisar saber contabilidade. Veja como funciona.

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